AGRONEGÓCIOS
Colheita do milho em Mato Grosso encerra com atraso, mas produtividade supera expectativas
AGRONEGÓCIOS
Apesar do atraso no cronograma, os produtores mato-grossenses registram resultados acima do esperado, impulsionando perspectivas positivas para o setor agrícola
Publicado em:

Foto: CNA
A safra 2024/25 de milho em Mato Grosso foi concluída na última sexta-feira (22), registrando atraso em relação ao ciclo anterior, mas apresentando resultados acima do esperado em produtividade. O desempenho confirma a força do estado como principal produtor do grão no país.
Colheita terminou duas semanas depois do previsto
Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o encerramento da colheita ocorreu com duas semanas de atraso em comparação ao calendário da safra passada. O principal fator para o atraso foi a demora no início da colheita da soja, que acabou empurrando a semeadura do milho de segunda safra para fora da janela ideal.
Apesar disso, a intensidade do trabalho no campo acelerou o processo. O ritmo foi mais forte do que em anos anteriores, como na safra 2016/17, quando o estado registrou o ciclo mais tardio da série histórica do instituto.
Chuvas atípicas favoreceram a safra
As condições climáticas, que poderiam ter sido um entrave maior, surpreenderam positivamente os produtores. Houve registros de chuvas até mesmo em agosto — um fenômeno incomum para a época. Essa umidade extra ajudou no desenvolvimento das lavouras, inclusive daquelas plantadas após o prazo recomendado, encerrado em 28 de fevereiro.
Esse cenário resultou em ganhos expressivos de produtividade, contrariando as expectativas iniciais de perdas.
Qualidade dos grãos garantida pelas precipitações
De acordo com o Imea, as chuvas prolongadas foram fundamentais para assegurar a qualidade dos grãos e elevar a média de rendimento no estado. A combinação entre manejo intensificado e condições climáticas favoráveis garantiu uma safra robusta, reforçando a resiliência do produtor mato-grossense frente às adversidades.
Mato Grosso se consolida como líder nacional
Com a conclusão da colheita, a projeção atual do Imea aponta produtividade superior às últimas safras. O desempenho consolida Mato Grosso como o maior produtor de milho do Brasil, destacando o estado tanto pelo volume quanto pela eficiência agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

