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'Preço de aeroporto'?

Inflação dispara em 2021 e deve ser a maior desde governo Dilma, prevê mercado

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ECONOMIA

Por Laís Alegretti

A percepção de aumento dos preços no Brasil multiplicou, nos últimos dias, as postagens em redes sociais que comparam valores encontrados em mercados e comércio de rua com preços salgados cobrados em lojas de aeroporto.

“Tá parecendo que tudo tá com preço de aeroporto”, escreveu um usuário do Twitter.

“A gente não pode ir ao aeroporto, o aeroporto vem até a gente”, ironizou outro.

Alimentos, conta de luz, gasolina e botijão de gás estão entre os vários itens cujos preços dispararam no Brasil nos últimos meses.

Os dados de inflação do ano até aqui e as projeções para os próximos meses mostram que não é apenas uma sensação pontual dos consumidores: a inflação hoje é persistente e está disseminada.

E o Brasil deve ter, neste ano, a maior inflação desde 2015, segundo economistas do mercado financeiro.

A estimativa é que a inflação oficial do país – medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – termine o ano em 7,11%, segundo os cálculos de analistas do mercado financeiro divulgados pelo Banco Central.

Esse é o dado mais recente do Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (23/8), com levantamento feito com mais de cem instituições financeiras na semana passada.

Nos últimos meses, a estimativa dos analistas só tem crescido: esta é a vigésima semana consecutiva em que a projeção de inflação para 2021 tem alta, segundo o Boletim Focus.

Inflação no Brasil. Variação anual do IPCA, em %. .

O dado mais recente divulgado pelo IBGE mostra que, no mês passado, o IPCA teve a maior alta (0,96%) para um mês de julho desde 2002. No ano, a alta acumulada é de 4,76% e, nos últimos 12 meses, de 8,99%.

Todas as regiões pesquisadas pelo IBGE apresentaram alta em julho. E, entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, a maior alta está em habitação – afetada pelo aumento da energia elétrica.

Conta de luz

Aumento de preços na categoria habitação foi influenciada pela alta da conta de luz.

No ano passado, a inflação medida pelo IPCA foi de 4,52%, o maior índice desde 2016. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos.

Mais caro para quem?

Apesar de o Brasil passar por uma alta inflacionária generalizada, as famílias mais pobres vêm sofrendo um aumento de preços maior do que as famílias mais ricas.

Em julho – dado mais recente disponível -, a taxa de crescimento dos preços foi maior para a classe de renda muito baixa (1,12%) em relação à observada para o grupo de renda alta (0,88%).

arroz e feijão

Alta de preço de alimentos pesou principalmente para brasileiros mais pobres

Em 12 meses, a taxa foi de 10,05% para as famílias mais pobres e de 7,11% para as mais ricas, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

Esse indicador divide as famílias brasileiras em seis faixas de renda e avalia como a inflação afeta, mês a mês, cada um desses grupos. De acordo com a classificação da pesquisa, as famílias de renda muito baixa são as que têm ganho domiciliar menor que R$ 1.650,50. E as famílias classificadas como de renda alta são aquelas cujo ganho domiciliar é superior a R$ 16.509,66.

Ao analisar o comportamento dos preços nos últimos 12 meses (até julho), o relatório aponta que houve uma alta inflacionária generalizada.

Para as pessoas com renda mais baixa, pesou mais o aumento de alimentos no domicílio, energia elétrica e do gás de botijão.

No mesmo período, para as famílias de renda alta, pesou mais o reajuste dos combustíveis, das passagens aéreas e dos aparelhos eletroeletrônicos.

Juros

Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu a inflação alta – “número grande” – e disse que o governo estava tomando medidas. Ele citou a independência do Banco Central e o aumento da taxa de juros.

Dias depois, citou a fé como instrumento para superar problemas da economia.

“O povo tem sofrido com isso, tem inflação, tem desemprego, tem dias realmente angustiantes. O que eu posso dizer aos senhores com fé, com vontade, com crença, nós podemos superar esses obstáculos”, disse, em cerimônia na Assembleia de Deus no Pará.

Homem caminha descalço em frente a uma faixa que diz "Brasil na UTI, Bolsocaro" em São Paulo, Brasil, 8 de março de 2021

´Bolsocaro´: grupo que não se identificou fez campanha contra disparada nos preços no país

A inflação prevista para o fim do ano tem ficado cada vez mais distante da meta central do governo em 2021 – que é de 3,75%, com um intervalo de tolerância de 2,25% a 5,25%.

Para tentar levar a inflação para esse intervalo, o Banco Central pode elevar a Selic, taxa básica de juros da economia.

No início de agosto, diante da disparada de preços no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu aumentar a Selic para 5,25% ao ano. Foi a quarta elevação consecutiva da taxa em 2021 e já é esperado outro aumento na próxima reunião, que acontecerá em 21 e 22 de setembro.

Embora o aumento do juros possa controlar o aumento disseminado de preços na economia, ele também tem potencial de gerar outras consequências.

Entre eles, estão o aumento nos juros praticados pelos bancos, o aumento das despesas com juros da dívida pública e um impacto negativo no consumo da população – o que, por sua vez, afeta o emprego e a renda.

É por isso que a inflação em um cenário de baixo crescimento é ainda mais desafiadora para a autoridade monetária – e, principalmente, para a população.

”BBC BRASIL”

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ECONOMIA

Febraban desembarca do governo Bolsonaro em oposição à política econômica de Guedes

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Não foram a Caixa e o Banco do Brasil que desembarcaram da Febraban. É a Febraban que está rompendo com a política econômica do governo Jair Bolsonaro. A simbologia desse desembarque, após a entidade assinar um manifesto da Fiesp pedindo medidas urgentes para o Brasil voltar a crescer e gerar empregos, é notadamente política e grave para o governo. Mas é também econômica, ao expor a insatisfação diante da escalada de hostilidades entre as autoridades públicas e fazer a defesa de pontos básicos institucionais que garantem o bom funcionamento da economia. Trata-se de uma ação pública radical para os padrões da Febraban, que vê nesse ruído institucional atraso para a recuperação econômica.

O movimento já estava a caminho quando banqueiros assinaram, no início de agosto, um manifesto que conectou boa parte da elite da sociedade civil em defesa do sistema eleitoral brasileiro para dar um basta às ameaças do presidente à democracia, entre eles Pedro Moreira Salles e Roberto Setubal, do banco Itaú Unibanco, e o CEO do Credit Suisse Brasil, José Olympio Pereira.

Manifesto que pede pacificação no Brasil teve origem na Febraban

Manifesto que pede pacificação no Brasil teve origem na Febraban

Olympio chegou a dizer que a “fervura aumentou e o sapo está na panela. Temos de pular enquanto é tempo”, em entrevista ao O Globo, declaração que enfureceu a área econômica.

Do lado dos bancos públicos, a decisão de romper com a Febraban, às vésperas de manifestações marcadas pelo presidente no feriado da Independência de 7 de setembro, foi tomada porque o governo viu no manifesto da Fiesp um ato político contrário a Bolsonaro, que o é de fato, mas que deveria ter sido respondido de outra forma, se assim quisessem. A realidade é que se configura ingerência política em bancos públicos, que são empresas de Estado e não de governo.

Nunca é demais lembrar que, no início do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falava com orgulho que a escolha dele para os bancos tinha sido de “porteira fechada”, em outras palavras, uma administração altamente profissional e longe da interferência. Um mito que foi se desfazendo em vários episódios ao longo do governo Bolsonaro e que tem sua capitulação final na decisão de rompimento com a Febraban, ainda não confirmada oficialmente, mas que teve apoio de Guedes. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, é hoje um dos mais fiéis escudeiros de Bolsonaro e o comando do BB foi trocado não há muito tempo para atender uma ordem do presidente.

Para além do calor do momento, a saída subserviente da Caixa e do BB da Febraban terá consequências. Dirigentes da Caixa e do BB terão que dar explicações ao Tribunal de Contas da União. Reportagem do Estadão, por sinal, já mostra que os bancos estão preocupados.

É bom que eles se preocupem mesmo porque os bancos públicos não podem sofrer esse tipo de ingerência por razões políticas, principalmente o BB, que é uma sociedade de economia mista, com acionistas minoritários e ações negociadas em mercado fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Caixa, que não conta com capital aberto, tem sua gestão regulada pela Lei das Estatais.

Pouco tempo atrás, o ministro Bruno Dantas do TCU, acatando pedido do MP junto ao Tribunal, suspendeu todo o uso da verba publicitária do BB em sites, blogs, portais e redes sociais acusados de espalhar fake news por orientação da Comunicação do Palácio do Planalto e indiretamente do filho do presidente Carlos Bolsonaro.

Se a saída da Febraban foi aprovada pelo board dos dois bancos, todos os diretores podem ser responsabilizados na pessoa física pelo TCU com multa e até mesmo punição de ficarem inelegíveis para cargos públicos.

Seria uma condenação não para agora (provavelmente demoraria anos, com eles já fora dos bancos públicos), mas que certamente traria danos para as carreiras desses dirigentes no setor privado.

Afinal, que política de compliance (cumprimento das normas legais) de uma empresa ou banco do setor privado aprovaria um nome de alguém condenado pelo TCU?

Se confirmado, o rompimento traz muito mais perdas para os bancos públicos. Melhor teria sido se a Caixa e o BB não tivessem assinado o manifesto e pedido para nominar essa decisão no documento. Como o manifesto não foi ainda divulgado e nem a decisão dos bancos oficializada, bombeiros entraram em ação para reverter o pior.

‘Estadão’

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